segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DEPUTADOS BOLSONARISTAS DE SC QUEREM ACABAR COM AS AÇÕES AFIRMATIVAS NO ESTADO

Santa Catarina, que disputa com o Paraná a vergonhosa posição de Estado brasileiro mais reacionário, quer com uma mera lei estadual anular a vigência em território catarinense das leis federais número 12.711/2012 (que regulamentou o regime de cotas no ensino superior), 12.990/2014 (idem em concursos federais), bem como da Nova Lei de Cotas. 

Esta última, sancionada em junho de 2025, renovou e ampliou as cotas em concursos federais para 30% das vagas, incluindo negros, indígenas e quilombolas.

A Ordem dos Advogados do Brasil entrou nesta 2ª feira com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal,  pedindo a imediata suspensão da lei que proibiu a adoção de cotas e outras ações afirmativas em instituições de ensino de SC.

A entidade aponta que tal legislação estadual, aprovada na semana passada, é totalmente inconstitucional, por afrontar princípios da Constituição como a proibição de retrocessos sociais, a autonomia universitária e até o pacto federativo.

Como o governo federal já promulgou leis que instituem o sistema de cotas, incluindo o Estatuto da Igualdade Racial, o governo estadual jamais conseguiria derrubar esses mecanismos. Na verdade, a iniciativa do Legislativo catarinense não passa de uma provocação direitista, sem chance nenhuma de atingir seu objetivo.

Observação: meu prognóstico no último parágrafo foi rapidamente confirmado: nesta terça-feira (27) o Tribunal de Justiça de Santa Catarina suspendeu os efeitos da lei catarinense que proibia a adoção de cotas raciais e voltadas a outras minorias em universidades públicas estaduais ou que recebam verbas públicas em SC. 

A ligeireza com que a iniciativa de deputados bolsonaristas foi liminarmente fulminada por uma ação direta de inconstitucionalidade do Psol não deixa dúvidas quanto ao destino que a proposta terá quando do julgamento do mérito da questão: a lata de lixo. (por Celso Lungaretti)
"...só trago o amargo rumor / que o asfalto rumorejou. / Só trago a foto
da flor / que o beija-flor recusou. / E a terra em canto  minguante, /
 refrão de guerra crescente, / armado eu vim só de amor, camará"

A SOBREVIDA DO CAPITALISMO PARECE A DOS ZUMBIS DA FICÇÃO: FALTA-LHE VIDA, MAS NÃO SE CONFORMA COM A MORTE.

dalton rosado 
A CONJUNTURA POLÍTICO-ECONÔMICA MUNDIAL 
"As máquinas e robôs da Inteligência Artificial farão mais 
e melhor as coisas que o homem pode fazer...  Vamos
instituir uma renda básica universal para suprir 
a capacidade de consumo" (Elon Musc)
Nos últimos 200 anos, o mundo conviveu com a repetição cíclica de crises do capitalismo e com guerras civis e a busca de hegemonia de países contra países. A conclusão é clara: o capitalismo é genocida.      

Agora, quando a depressão econômica mundial se expressa na queda acentuada da curva de crescimento do PIB mundial simultaneamente ao aumento da dívida privada e pública, numa rota de acelerada de colisão rumo ao colapso, com ele vem a desagregação política de uma ordem criada para servir ao Deus Valor, que se autodestrói pelos próprios fundamentos.

Assim, a disfuncionalidade social da metafísica do capital gera a inconciliável briga por um espólio falido pela via política que é incapaz de compreender e aceitar que a lógica do capital chegou ao fim da linha, com os governos e seus governantes ególatras querendo continuar o féretro de um defunto que insiste em não ser sepultado. 

Há coisa mais ridiculamente narcisista, mas belicamente perigosa, do que a reencarnação do lebensraum nazista pelo TrumPIRATA do Caribe querendo ser dono do mundo? 

Na esteira da megalomania político-econômica de bilionários na política se pode aceitar que eles instituam um voucher de sobrevivência por eles controlado, como propôs Elon Musk?!

Por outro lado, diante da clara decadência do capitalismo estadunidense ora em curso, que se soma à decadência das nações da União Europeia, acirra-se a disputa pela hegemonia capitalista, por parte dos países que se aglutinam como força de produção de mercadorias a partir da junção de multinacionais que se deslocam dos países de origem em busca de mão-de-obra barata.

Trata-se de um endividamento crescente para fazer face à exigência de capital constante (equipamentos, instalações, energia, pesquisa, etc.) e subsídios fiscais. Tal deslocamento da produção de mercadorias se soma ao fenômeno da Inteligência Artificial, ao permitir que máquinas simulem habilidades humanas nos vários campos da vida social.

Com isto o trabalho abstrato se torna cada vez mais prescindível, em maior parte na produção de mercadorias, gerando novos nichos de receita para os países detentores dessa tecnológica microeletrônica/cibernética, mas que, paradoxalmente, implode toda a lógica de produção do valor, ou seja, torna inviável a relação social capitalista pela redução da massa global de valor.

Sem produção de valor nos níveis necessários para a irrigação funcional da mediação pelo dinheiro como valor válido (ou seja, advindo da produção de mercadorias), todo o organismo capitalista morre de inanição.
 
O dinheiro, que deveria ser a expressão monetária do valor, agora é em grande parte dele desconectado: vive sob emissão de moeda sem lastro, oficial mas falsa, gerando inflação. Tal fenômeno ora assola o mundo inteiro.

Sendo ele a mercadoria das mercadorias e a única sem valor de uso intrínseco (não passa de uma abstração meramente numérica no mais alto grau de sua metafisica funcional), o dinheiro, quando desconectado do valor, corresponde ao recurso suicida de uma ordem econômica que roda em falso, como ora ocorre.

É sob esse contexto de depressão capitalista que a guerra comercial perde espaço para a força militar altamente desenvolvida sob um comando político de governos que manipulam a insatisfação popular, inconsciente do que está por trás da perda coletiva da qualidade de vida pela maior parte da população.

O crescimento eleitoral da direita no mundo atual se escuda numa mentira de salvação, tal como cresceu Hitler diante da penúria da Alemanha no final da década de 1920 e ao longo dos anos 30, com a enganosa cantilena nacionalista e racista de retomada alemã do progresso e prosperidade.  

Enquanto isto vivemos o aquecimento global gerado pela emissão na atmosfera dos combustíveis fósseis, com o petróleo ainda disputado a tapa e novas extrações sendo liberadas como fonte de sustentação econômica.    
      
A irracionalidade da permanência do uso dos combustíveis fósseis se prende advém de haver uma enorme gama de atividades econômicas ligadas à produção e comercio dos combustíveis na era do desemprego estrutural, tornando-se uma exigência suicida do sistema produtor de mercadorias; tudo converge a uma fuga para a frente, como se fôssemos uma manada que segue veloz para o precipício.   

Há, portanto, uma cegueira quanto à identificação social da causa dos problemas e, mais ainda, da solução dele.

A causa fundamental dos problemas sociais reside no sistema produtor de mercadorias que entrou numa espiral de contradições que revelam a sua ilogia diante do avanço do saber tecnológico aplicado ao próprio sistema e por ele provocado paradoxalmente; e com ele, a queda da máscara de caráter democrático da política.

Ora, por que não se quer identificar a causa do problema e se intensifica a prática dessa mesma causa como solução?

Por que não se pode produzir bens de consumo e serviços apenas pelo seu valor de uso que satisfaça as necessidades humanas e sociais, superando-se o famigerado valor de troca, substrato oportunista de uma relação social escravista?

Em sua maioria, os economistas (principalmente os burgueses) só apontam saídas ineficazes, ignorando os números macroeconômicos, sem falar que precisam eles mesmos criticar a ciência da qual e na qual são profissionais? 

Tais números estão a demonstrar a correção dos prognósticos de Karl Marx em sua crítica da economia política, na qual demonstrou cientificamente a marcha para o que hoje está a ocorrer.

Nada se faz nesse sentido, justamente porque a negação do valor de troca desnudaria toda a engrenagem da dominação política que está posta a seu serviço.   

As populações empobrecidas do mundo, cuja grande rebelião ora atinge pincipalmente a juventude que chega à idade adulta esbarrando no desemprego estrutural, precisam tomar consciência de que nunca foi tão factível se prover as necessidades de consumo.

Bastaria aliar-se o uso das máquinas ao conhecimento adquirido pela humanidade nos vários campos do saber que promove níveis de produtividade jamais imaginados. Como? Destravando-se da vida social o famigerado critério da viabilidade econômica, que impõe a todo o fazer uma paralisia inaceitável.

Antes de nos armarmos para a guerra, por que não nos desarmarmos para a paz, diferentemente do que propõe o entusiasta digno do Prêmio Nobel da Guerra, sentado na cadeira presidencial dos EUA como se fosse chefe de gang de bullying de escola primária?

Viva Karl Marx e sua crítica da mercadoria, contida no livro O Capital, praticamente um resumo de tudo o que escreveu (por Dalton Rosado)

domingo, 25 de janeiro de 2026

PRESIDENTE SUÍÇO PEGOU O TRUMPINÓQUIO NA MENTIRA

"O maior de todos os farsantes"
UM SHOWMAN MEGALOMANÍACO 
Parecia a estreia de um grande espetáculo. Havia filas para entrar, a sala estava cheia, muita gente ficou de fora. 

No centro do palco, em pé, como um star estadunidense que ao final seria aplaudido em pé pela plateia numa standing ovation, o showman. 

Conhecido como criador de suspense, ele contava lorotas nas quais era sempre o melhor ou o ganhador. 

Era Donald Trump, presidente dos EUA, que havia ameaçado a Dinamarca de empregar a força, caso o país não lhe vendesse um enorme pedaço de gelo, a Groenlândia.

O lugar era o Fórum Econômico de Davos, na Suíça, durante alguns dias o centro da economia ocidental. Trump já esteve por lá outras vezes, mas nunca num clima de tanta expectativa, pois uma parte dos europeus temia uma guerra se houvesse uma invasão da Groenlândia pelos Estados Unidos.

Na metade da sua hora e doze minutos de show, como qualificaram alguns jornalistas suíços, Trump garantiu que não usaria a força para obter seu grande pedaço de gelo, essencial, segundo ele, para garantir a segurança dos EUA. 

E chamou a Dinamarca de ingrata pois se não fossem os Estados Unidos, hoje estaria falando alemão ou japonês, referindo-se à participação do país na libertação da Dinamarca na Segunda Guerra Mundial.

Irreverente, ou mais precisamente mal-educado, Trump procurou ridicularizar o presidente francês Emmanuel Macron e a ex-presidenta do conselho federal suíço Karin Keller-Sutter. Ao contar à sua maneira a conversa telefônica mantida com um e outro, é sempre Trump, o esperto e mais forte, quem sai ganhando.

A Europa voltou a respirar mais tranquila após o encontro do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte com Trump, no qual Mark Rutte praticamente jurou fidelidade e apoio no caso de uma guerra envolvendo os EUA. Ambos negociaram, depois do discurso do  Trump em Davos, a instalação e utilização de bases militares dos EUA soberanas e autônomas na Groenlândia.

Trump se demonstrou satisfeito com esse acordo pelo qual pode dominar a região ártica. Mas existe um problema, o governo dinamarquês não participou e poderá vetar, em nome da soberania do país. O acordo inclui uma ajuda estadunidense para a exploração dos recursos minerais da ilha de gelo. Será o próximo capítulo.

Com base nesse acordo, o poderoso Trump anulou suas ameaças de um tarifaço suplementar em fevereiro e junho para os europeus.

Sempre cortês e calmo, o atual presidente suíço, Guy Parmelin, Pegou Trump na mentira, ao provar-lhe que não existe um déficit comercial de US$ 41 bilhões favorável à Suíça, como ele dizia, mas sim um superávit de US$ 8,8 bilhões em favor dos Estados Unidos. 

Trump teria se mostrado surpreso e sem a irritação costumeira de quando ele é contraditado. 

Aproveitando o encontro com o presidente suíço, Trump se mostrou curioso quanto ao funcionamento do rodízio presidencial no conselho federal suíço. De acordo com o um jornal suíço, logo perguntou se um presidente suíço poderia exercer duas vezes seu mandato, revelando a intenção de prorrogar o próprio mandato.

Embora no seu discurso megalomaníaco tudo aparentasse ser um sucesso, parece haver uma erosão do apoio a Trump entre os republicanos e por parte de seus eleitores. 

As eleições de meio mandato, em novembro, revelarão se Trump poderá continuar se exibindo como o star do Faça a América Grande de Novo. (por Rui Martins, diretamente da Suíça).

sábado, 24 de janeiro de 2026

DUELO ENTRE BANDIDOS E DISPARATADOS ESTÁ CHEGANDO AO 60º ANIVERSÁRIO

F
oi em 1966 que se deu a disputa mais acirrada dos grandes festivais de MPB, entre torcedores da Disparada (que os adversários apelidaram de disparatados) e de A Banda (zoados como bandidos).

Vandré vinha de vitória no 2º Festival da TV Excelsior, com "Porta-Estandarte", além de haver criado uma trilha  musical  superlativa para o filme A Hora e  Vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, na qual se destacavam "Réquiem para Matraga", "Modinha" ("Rosa, Hortência e Margarida") e a vigorosa “Cantiga Brava”.

Tendo pesquisado a obra do Guimarães Rosa para criar a trilha daquele filmaço, isto deve tê-lo influenciado quando compôs a “Disparada”, com letra dele e música do Théo de Barros, merecidamente uma das ganhadoras do 2º Festival da Música Popular Brasileira que a TV Record promoveu em setembro/outubro de 1966.

Épico sertanejo, “Disparada” coroa as pesquisas de Vandré no sentido de definir um idioma musical comum ao Centro-Nordeste e às pessoas egressas dessas regiões que se estabeleceram no chamado  Sul Maravilha, mas ainda traziam as marcas do êxodo para as cidades grandes.

É a saga do peão que, após longo tempo cumprindo tarefas subalternas (“na boiada já fui boi”), ascende a boiadeiro, “por necessidade do dono de uma boiada/ cujo vaqueiro morreu”.  

Contar com uma montaria é uma verdadeira realização para aquele homem simples, mas “o mundo foi rodando, nas patas do meu cavalo”, até que, de repente, ele acorda de sua euforia e se descobre “valente lugar-tenente de dono de gado e gente”.
 
Então recusa a condição de braço-direito do latifundiário, “porque gado a gente marca, tange, ferra, engorda e mata, mas com gente é diferente”. 

A interpretação foi de Jair Rodrigues, a simpatia em pessoa. Não percebia, contudo, que o público explodia em aplausos no trecho "mas, com gente é diferente" como um desabafo contra a ditadura; sua inadequada reação era abrir um largo sorriso ao invés de adotar um tom dramático. 

De resto, chamou a atenção o uso, como instrumento musical, de uma queixada-de-burro, na verdade mais uma atração exótica do que qualquer outra coisa.

“Disparada” dividiu o primeiro lugar com “A Banda”, de Chico Buarque, interpretada pelo autor juntamente com a Nara Leão.

Carioca radicado em São Pulo, Chico em pouco tempo saltou da boêmia universitária para a consagração nacional, apontado como um novo Noel Rosa.

As letras de precoce desencanto faziam a delícia das mocinhas românticas, como também sua timidez e os paparicados olhos verdes.
Suas composições mais características eram do tipo “Meu Refrão”, “Olê Olá” e “A Banda”, com lirismo, tristeza e rimas certinhas.

Vez por outra incursionava no campo das preocupações sociais, mais por influência do ambiente político que frequentava. Caso, p. ex., da “Pedro Pedreiro”.

Fãs menos atentos acabaram identificando-o também com os poemas (de João Cabral de Melo Neto) que Chico musicou para a peça famosa do Tuca, Morte e Vida Severina. Superestimavam-no.

O público teve participação intensa neste festival, praticamente se dividindo no apoio à “Disparada” e “A Banda”. Como se estivessem num estádio de futebol, os torcedores hostilizavam o time adversário, xingando-se uns aos outros.

Por estreita diferença, o júri concedeu o 1º lugar a Chico Buarque que insurgiu-se contra sua vitória! Dela cientificado pelos organizadores antes de ser chamado ao palco para o anúncio da decisão, dignamente se recusou a aceitar o prêmio, por não considerar "A Banda" melhor do que "Disparada". Impasse estabelecido, a saída foi proclamarem ambas como vencedoras.
Outros destaques foram a quinta colocada, “Ensaio Geral”, de Gilberto Gil, por Elis Regina (um erro de cálculo do Gil: pensando que a fase ainda fosse de marchas-ranchos, ele foi na cola do Vandré, inscrevendo uma espécie de Porta-Estandarte 2...).

E a belíssima “Um Dia” ("Eu não estou indo embora, 'tou só preparando a hora de voltar"), merecia muito mais do que o prêmio de melhor letra.  Até hoje, ao ouvi-la, sentimos saudades do simpático Caetano Veloso de antes do endeusamento e da máscara... 

Na definição lapidar de Paulo Francis, o Caetano era então um ser humano vulnerável, sensível, tanto que um dia foi parar na PE do Rio, “mas isto foi em outro país e aquele rapaz morreu”. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

O ESTADÃO QUER QUE A EUROPA COLOQUE COLEIRA NO PESCOÇO DO TRUMP RAIVOSO

"
Pela primeira vez desde a criação da Otan após a 2.ª Guerra, aliados se veem compelidos a discutir dissuasão simbólica contra os próprios Estados Unidos. A confiança – ativo invisível, mas essencial – se deteriora a olhos vistos. E quando a confiança é desintegrada, os custos se multiplicam em cadeia: na coesão política, na previsibilidade estratégica, na credibilidade financeira...

...Ao tratar aliados como obstáculos e regras como inconvenientes, Trump acredita colocar a América em primeiro lugar. Na prática, acelera a transição para um mundo menos previsível e muito mais perigoso. Por esse motivo, a Europa precisa reagir a Trump, estabelecendo um limite para a sua irresponsabilidade..." (trechos do editorial de hoje d'O Estado de S. Paulo, intitulado A Europa precisa enfrentar Trump)
Tradicionalmente conservador, além de baba-ovos do Tio Sam, O Estado de S. Paulo teve, contudo, grandes momentos no século passado, ao reagir corajosamente à ditadura de Getúlio Vargas, quando ficou sob intervenção federal entre 1940 e 1945; e depois à dos generais, ao preencher os espaços vazios das notícias censuradas com versos de Camões. 

Foi igualmente inesquecível a atitude do diretor de redação do Jornal da Tarde (também pertencente ao Grupo Estado), Murilo Felisberto, ao proibir o ingresso dos agentes do DOI-Codi que pretendiam efetuar uma prisão. 

Ele mandou os seguranças da empresa irem à portaria para evitar qualquer tentativa de invasão. 
Sua frase célebre foi "lá fora ele pode ser comunista, mas aqui dentro ele é meu jornalista".

E, após o assassinato do Vladimir Herzog, a empresa passou a enviar um diretor junto com qualquer dos seus profissionais que fosse chamado para depor no DOI-Codi. 

O editorial de hoje não é, portanto, nenhuma surpresa. Mas, ao exigir da Europa que coloque uma coleira no pescoço doTrump raivoso que preside os Estados Unidos, ele certamente frustrou um considerável contingente de anunciantes e leitores.

A reação borocoxô do Lula diante do sequestro de seu aliado surpreendeu por sua pusilanimidade; e a do Estadão por demonstrar mais espírito de luta do que o PT.

Em tempo: sempre considerei os governos de Chávez e Maduro como meras nomenklaturas, mas fiquei envergonhado da atitude vil e servil do governo brasileiro. Portamo-nos como quintal dos EUA. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

GRAVE ADVERTÊNCIA: AS BLITZKRIEGS DO TRUMP TÊM COMO OBJETIVO FINAL A ECLOSÃO DE UMA NOVA GUERRA MUNDIAL

dalton rosado 
DE QUE DEMOCRACIA TRATAMOS?
"A dívida pública e privada pode desencadear 
uma crise mundial: em 2026 ainda vai dar
pra segurar, mas depois disso vai ser 
difícil..." (José Kobori, economista)
As eleições de 2026 já mobilizam partidos políticos de todos os espectros ideológicos mas com a mesma proposta, a de administrar as finanças públicas para o cargo executivo da União, Estados e escolha de parlamentares para os cargos legislativos.

Só há uma certeza: qualquer que seja o resultado da eleição e perfil ideológico do vencedor eleito para o cargo executivo da União Federal, ele vai administrar a falência estatal e tentar minimizá-la diante da crise do capitalismo internacional e seus reflexos no capitalismo nacional.

Quanto ao parlamento, de maioria conservadora desde o Império, sempre ligada ao capital e elites retrógradas, e agora piorada com a infiltração de parlamentares ligados ao crime organizado, as leis propostas e votadas convergirão para medidas suicidas tomadas em nome da salvação do capitalismo, como é o caso da recente lei da devastação, que levará à prática e descriminalização dos crimes ambientais.

O coro dos contentes eleitorais de ambos os lados, aferrados aos interesses particulares de cada vertente ideológica, é indiferente à realidade catastrófica que se avizinha no mundo econômico mas que  desconhecem, seja porque consideram assunto para economista resolver, ou seja porque a institucionalidade estatal e suas finanças advindas dos impostos arrecadados das atividades mercantis, capitalistas, devem ser preservadas, posto são elas que financiam suas vidas públicas,
As eleições representam para o povo o momento da barganha que se opera em vários níveis de influência, que como diz a poesia:
ou lhe mata de vergonha, ou vicia o cidadão

A eleição, portanto, é tida como exercício democrático da vontade popular e agrada a todos que consideram ruim apenas a ditadura que concentra ainda mais o poder, e sem barganha. De fato, a ditadura é o pior dos mundos, porque ela se soma à ditadura do capital formando um conjunto de poder absolutista insuportável, mas sua rejeição não isenta os pecados do mundo burguês dito democrático.

Considera-se que ruim com a democracia burguesa, pior sem ela e por medo do péssimo, se aceita o ruim que se conhece e no qual se pode ter um discurso politicamente correto.

Mas o coro dos contentes tem um problema: o capitalismo.

falência do capitalismo por seus próprios fundamentos, apesar de todos os bem-intencionados humanistas quererem civilizá-lo e humanizá-lo, contraria o comodismo pequeno burguês e coloca os conformistas e reformistas numa sinuca de bico. 

São poucos os economistas que admitem o fim da linha do capitalismo; em geral eles sempre encontram soluções dentro da imanência capitalista como se as crises decorressem de má administração e desvios irresponsáveis e nunca das contradições em processo que agora atingem um patamar de dimensão gigantesca sendo impossível de solucionar o problema sob os parâmetros da forma-valor.   

Entrevistado por um site que se pretende independente, o economista e professor de Finanças José Kobori, sobre quem não há a mais remota suspeita de facciosismo de esquerda, pela primeira vez ouvi alguém do campo capitalista admitir a falência dessa forma de relação social que nos últimos 200 anos tomou forma política a lhe dar contornos de sustentação.

Na entrevista ele demonstra alguns dos números macroeconômicos que evidenciam a rota falimentar do capitalismo, tais como o fim da complementaridade econômica entre Estados Unidos e Japão.
Cara de um, focinho de outro.
Como consequência de seus dados econômicos terem credibilidade, o
 Japão se tornou um país receptáculo mundial de capitais há décadas. Recebia investimentos a juros negativos e comprava títulos dos Estados Unidos, ganhando spread (diferença de ganho financeiro) em tais operação de crédito.

Com isso passou a ser uma referência mundial financeira e detentor de grandes somas dos títulos do Estados Unidos; mas a lua-de-mel chegou ao fim. O Japão passou a ter inflação alta para os seus padrões, de 2,9% ao ano e redução da renda per capita para 1,9% aa. 

Com a inflação dos EUA em alta, passou a se livrar dos títulos daquele país, causando um desequilíbrio na questão da liquidez da dívida pública trilionária, e este é apenas um sintoma de um conjunto de fatores explosivos da questão estrutural referente à incapacidade de solvência da dívida pública e privada no sistema financeiro bancário mundial.

O PIB dos Estados Unidos mal se sustentou no  ano passado, assim mesmo em níveis baixos, por conta das big techs e seus negócios na área da Inteligência Artificial, que representaram cerca de 92% do PIB positivo. 

Ou seja, retirando-se os ganhos das big techs, o PIB estadunidense se reduziria a 0,10%, simultaneamente ao crescimento de sua dívida anual em uns U$ 2 trilhões, que já é de cerca de 130% do PIB, o maior do mundo enquanto país; um descompasso que cada vez mais torna visível o descrédito do dólar como moeda internacional e da própria força do capital dos EUA.
EUA e Japão lutam batalha perdida no front econômico

Afirma Kobori que a valorização e lucros das big techs são ambos irracionais e insustentáveis, tendendo a desaparecer com a concorrência de outras big techs, principalmente da China. 

Isto vai acarretar o estouro de uma nova bolha de enorme dimensão. Ele prenuncia que a crise de agora será maior ainda do que a de crise imobiliária 1929/1930 sem que o Estado tenha capacidade de suprir a crise de liquidez a partir da intervenção estatal.

A supervalorização de ativos como ações das bolsas, cujas relações de preços com a capacidade real de geração de lucros do capital de giro das empresas e endividamento destas, tornam irracional e artificial a corrida de valorização fruto da lei da oferta e da procura.

Trata-se, portanto, uma fuga para a frente, evidenciando a falta de consistência desse movimento. Um exemplo disto é o lucro piramidal das criptomoedas num Esquema Ponzi sem sustentação e que levará muita gente à bancarrota na hora da verdade.

Por fim, ele denuncia que os EUA, sob a tutela de Trump e de seus assessores mais influentes (alguns bem ideológicos e conscientes do que querem), flertam com a ideia de guerra mundial, entendendo que o seu maior e mais seguro ativo é o poderio militar que pretendem usar para subjugar a ordem capitalista mundial, dobrando a aposta ao invés de tentar a superação do capitalismo.

Porta-aviões nuclear dos EUA: pirataria se modernizou
Entretanto, o bom analista José Kobori não diz como seria a superação do capitalismo fora da guerra, e eu complemento a sua boa análise anatômica, mas imanente, dizendo que só há uma saída: a superação do sistema produtor de mercadorias. 

Sob uma  nova forma de relação social abrir-se-ão as portas do progresso solidário sem as amarras do critério da famigerada viabilidade econômica, segundo o qual somente se faz aquilo que gera lucros.

Evitemos a guerra fratricida mundial e salvemos a humanidade do assassino denominado capitalismo. (por Dalton Rosado)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

CONHEÇA PLATÃO, QUE AINDA DESPERTA A IRA DOS PATRULHEIROS CRICRIS, MAIS DE 22 SÉCULOS APÓS SUA MORTE.

P
ouco presente no noticiário, o próspero estado do Texas, nos EUA, virou destaque negativo em todo planeta: lá uma universidade obtusa proíbe Platão, por coincidência fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental.

Falecido em 347 ou 348 a.C., ele é tido como o maior pensador da Antiguidade. Mas, cometeu o pecado de não ter previamente se policiado para evitar infringir futuras diretrizes estaduais sobre raça e ideologia de gênero.

Orgulho-me de ter combatido a praga do patrulhamento cricri pela raiz, em 2010, quando um tal Conselho Nacional de (des)Educação tentou banir dos currículos escolares o livro Caçadas de Pedrinho, do Monteiro Lobato (vide aqui). Daquela vez tal tentativa extemporânea de censura foi fulminada pelos artigos escritos por alguns de nossos melhores artistas e jornalistas.

Mas tais simplistas fanáticos continuam exercendo sua influência emburrecedora no meio universitário daqui e até no dos EUA, conforme estamos constatando.

Sempre respondi a essa gente estridente que, ao invés de esperneamos contra as palavras com que nos referimos às coisas do mundo, temos mais é de transformar o próprio mundo, pela via revolucionária.

Eis dez das melhores frases do Platão, algumas das quais que até parecem ter sido concebidas especialmente para combater tal escalada da ignorância: 

*    Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz.
*    O sábio fala porque tem alguma coisa a dizer; o tolo porque tem que dizer alguma coisa.
*    Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.
*    Não é permitido irritarmo-nos com a verdade.
*   Não devemos de forma alguma preocupar-nos com o que diz a maioria, mas apenas com a opinião dos que têm conhecimento do justo e do injusto, e com a própria verdade.
*    Aqueles que desejam cantar sempre encontram uma música.
por Celso Lungaretti
*    O amor é a busca do todo.
Uma das penalidades por se recusar a participar da política é que você acaba sendo governado por pessoas inferiores.
*    Nosso objetivo na construção do estado é a maior felicidade do todo e não a de qualquer classe.
*   Os Estados só têm chance de serem felizes se os filósofos forem reis ou se os reis passarem a ser filósofos.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O PRINCIPAL ERRO DO TOFFOLI FOI ASSUMIR UM CARGO DO QUAL NUNCA ESTEVE À ALTURA. O RESTO É EFEITO.

O
ministro do STF Dias Toffoli está todo encalacrado no caso das fraudes do Banco Master. Merece.

Quando eu lutava contra a extradição do escritor Cesare Battisti, vagou uma cadeira no Supremo e ele, apesar de não preencher nem de longe os requisitos para o cargo, acabou sendo o indicado pelo Lula.

Sua escolha foi defendida principalmente pelo Zé Dirceu, de quem havia sido advogado. E aqueles caciques petistas (não eram todos) que faziam questão da libertação do Battisti contavam com o voto dele neste sentido.

De repente o ministro do STF Gilmar Mendes, que era um ídolo para toda a imprensa reacionária, fez declarações contundentes contra o Toffoli, argumentando que não possuía méritos acadêmicos suficientes para integrar o STF.

Houve até jornalão que publicou editorial nessa linha. Mas aí o Mendes fez uma longa reunião com o Toffoli e saiu se desdizendo. Afirmou que ele era perfeitamente apto para o cargo.

Nós, do comitê de solidariedade ao Battisti, percebemos depressa que havia algo de podre no reino da Dinamarca.
Isto logo se confirmou: o Toffoli se considerou impedido para julgar o Cesare, embora haja depois atuado em vários casos nos quais existiam razões bem maiores para ele ficar de fora.

Pior ainda ele se mostrou pessoalmente. 

Na véspera de um dos julgamentos do Battisti o Carlos Lungarzo (em nome da Anistia Internacional), o então senador Eduardo Suplicy e eu (um dos dois maiores defensores da memória da luta armada nas redes sociais, ao lado do Ivan Seixas), fomos levar um memorial em defesa do Cesare.

Conseguimos entregá-lo a quase todos os ministros durante a pausa para o cafezinho. E fomos recebidos com respeito, inclusive pelos que tinham tinha posição contrária, como o Lewandowski.

O Toffoli foi exceção. Parecia um homem proeminente sendo incomodado por pedintes. Só faltou jogar imediatamente o memorial no lixo.  

No entanto, o prestígio de nós três fora conquistado com muita luta durante décadas, enquanto o Toffoli nada tinha feito de relevante antes de ser beneficiado por uma indicação política. 

Tomara que caia, pra arejar o lodaçal!

De resto, bolsonaristas e outros direitistas estão movendo céus e terras para envolver o ministro Alexandre de Moraes no escândalo. 

A contribuição dele para livrar o país de sua maior aberração política em todos os tempos jamais pode sucumbir a uma insignificância  como o contrato firmado pela esposa com o Banco Master e a acusações não provadas. 

Se isso virasse o novo normal, as dependências dos Poderes ficariam vazias.

E mesmo que dolo houvesse, quem tranca o Bolsonaro tem cem séculos de perdão... (por Celso Lungaretti) 
"Lá vai ela toda prosa, vestida de verde e rosa/ Parece até a 
Mangueira em dia de carnaval/ Vai de mini, minissaia, blusa
tomara que caia/ Tomara mesmo que caia, pra alegrar o visual"
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